Comunicação Pública: Portal E-Cidadania, trabalho de conclusão de curso (i)

Concluí as orientações de dois alunos da Pós (especialização) em Gestão da Comunicação nas Organizações Vinicius
e penso que os trabalhos ajudam a compreender um pouco mais a Comunicação Pública, seja a praticada na esfera da participação política seja a praticada na esfera de campanhas educativas. Os alunos-profissionais estão se preparando para a defesa em banca dentro do programa lato sensu oferecido pelo UniCEUB e ambos têm em comum a opção por um estudo exploratório analisando um caso.

Vinicius Borba faz reflexões sobre o Portal E-Cidadania, do Senado Federal, e Maristela de Melo faz reflexões sobre a campanha Não Desvie o Olhar, do Conselho Nacional/Sesi. Esse post fala do trabalho do jornalista Vinicius Alves sobre o Portal E-Cidadania do Senado Federal e outro, em breve, será dedicado ao trabalho de Maristela de Melo.

As reflexões de Vinicius estão voltadas para os instrumentos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) que facilitam o acesso à participação popular no processo legislativo. O Portal ainda está em seus primeiros passos, pois foi instituído pelo Ato no. 3 de 2011 da mesa Diretora do Senado Federal e implementado no decorrer do ano de 2012, contando hoje com uma média mensal de 100 mil acessos. No entanto, a iniciativa é o coroamento de um processo que começa com a senadora Marina Silva ao criar a Comissão de Legislação Participativa, em 2002, que três anos depois foi incorporada à Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal. Portal E-Cidadania print

Durante esses anos, o Senado também instituiu as Sugestões Legislativas direcionadas a pessoas jurídicas, os perfis em rede social e as Ideias Legislativas, que Vinicius considera como elemento chave do E-Cidadania. Ideias Legislativas é o processo de participação simplificada direta para pessoa física por meio da internet, que permite a qualquer cidadão sugerir ideias, redigidas com justificativa simples e que, caso tenham 20 mil apoios pela internet, passam a ser debatidas pelos senadores da CDH. Para Vinicius, a forma desburocratizada aponta caminhos para avanços de participação direta da população.

Vinicius destaca a limpeza e a simplicidade da página e as ferramentas de interatividade e a referência internacional do Parlamento da Inglaterra (House of Commons) como benckmark para o E-Cidadania. Os critérios estabelecidos pelo Prof. Silvaldo Pereira da Silva para avaliar a extensão de um instrumento de democracia digital são aqueles empregados por Vinicius em sua reflexão sobre o Portal.

Vinicius conclui seu trabalho dizendo que:

A complexidade dos processos de legislação participativa, seu caráter político e o crescente volume de participações (já chegou a 12 milhões de acessos) nos demonstram que o Portal E-Cidadania é cada vez mais uma ferramenta que colabora para a democratização do direito humano à informação, … É possível concluir da análise das sete ferramentas disponíveis no Portal e dos dados analisados, bem como do cruzamento dos critérios e níveis qualitativos demonstrados, que o Portal cumpre importante papel no incentivo à participação popular no monitoramento, controle social e colaboração aos debates políticos que se passam no Senado Federal. … E aqui devemos fazer uma reflexão sobre uma limitação deste processo, … Não houve maiores análises sobre os usuários dada a inexistência de filtros qualificadores. Isso porque, desde o início, o Portal buscou desburocratizar ao máximo o processo, não criando, portanto, formulários ou demais “cliques” que pudessem desestimular a participação.”

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Como o marketing e os temas sociais podem ser bons amigos

Por Virna Limongi

Virna Limongi_rosto Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o marketing e as questões sociais podem conviver em plena harmonia. O resultado dessa aproximação é o desenvolvimento de programas e iniciativas que trabalham a mudança de comportamento de um determinado grupo de pessoas.

É disso que trata o Marketing Social. Essa área específica do marketing se dedica a estudar questões que requerem a atenção pública. Compartilho alguns exemplos: uso de drogas, sedentarismo, obesidade, violência contra as mulheres, desperdício de água, dentre outros.

A diferença primordial entre um e outro está na abordagem. Enquanto que o marketing tradicional foca no desenvolvimento de estratégias que visam a venda de um produto ou serviço, o Marketing Social mira na mudança de comportamento do público-alvo. Não no comportamento de compra, mas na adoção de uma atitude ou prática que promova um bem estar social.

As ferramentas do Marketing Social

Como os enfoques são diferentes, o marketing social conta com seu próprio arsenal de ferramentas, chamados de 6P’s do marketing social. São eles: produto social, preço de troca, ponto de distribuição, promoção, público adotante e beneficiário, e por fim, o pessoal.

A combinação dessas ferramentas é o que vai permitir o desenho de um programa que busca trabalhar o consumo consciente de água, por exemplo. Em meu projeto de conclusão da especialização em marketing fiz um estudo de como o marketing social foi utilizado em um programa do governo sobre o uso de crack.

Formas de trabalho diferentes

O resultado, que ainda tenho visto nos dias de hoje em outras iniciativas, é uma diferença notória entre o modo de trabalho de quem está inserido na área de marketing social e os gestores governamentais.

Enquanto que para os primeiros o foco está na adoção do comportamento, para os segundos a atenção maior está na prevenção. O que traz uma abordagem mais ideológica e menos prática para os programas federais.

A pesquisa pode ser acessada aqui