Por livre e espontânea pressão…

Por Thainá Salviato*thaina-salviato

Já falamos sobre a influência das redes sociais na vida, na saúde e no comportamento das pessoas. Pois é, só começamos né…. Então vamos a mais um efeito que me ocorreu esses dias.

Estou vendo ao meu redor acontecer com muitas pessoas (quase todo mundo) o que eu já me vi fazendo um sem número de vezes: fazer ou deixar de fazer alguma coisa por influência dessa enxurrada de “opiniões” que saltam das mídias sociais e não por minha genuína vontade. Coisa do dia a dia mesmo: comprar um sapato, não comer glúten, usar Listerine para rachaduras nos pés, seguir ou deixar de seguir pessoas que, por sua vez, influenciam em outras escolhas e por aí vai.

Parece besteira, mas eu vejo todo mundo meio viciado por conta dessa influência. As pessoas não vão mais aos lugares para curtir. Elas vão para tirar selfies e mostrar pra “todo mundo” onde estiveram, com quem e fazendo o quê. Outro dia alguém me perguntou o que eu tinha feito no fim de semana pois não havia visto nada no Facebook a respeito… Oi? É isso mesmo? Sim, eu fiz várias coisas legais, outras nem tanto, e foi exatamente por isso que eu nem apareci no Facebook, tava FAZENDO coisas.

As pessoas estão deixando o cabelo crescer ou não, criando barba ou não, usando roupas ou não de acordo com o que veem no Instagram. E cadê o gosto pessoal, o estilo? Eu hein… E o pior: as pessoas estão pensando e defendendo opiniões (ou não), ou pelo menos fingindo pensar de determinada forma, só pra seguir a onda que tá na moda ou que elas acreditam angariar mais seguidores e curtidas.

Esse fenômeno pode até parecer moderno, mas não é! O nome é Espiral do Silêncio, teoria da comunicação datada de 1977 (se eu não estiver errada) descrita pela cientista alemã Elisabeth Noelle-Neumann, segundo a qual os indivíduos omitem sua opinião genuína quando esta conflita com a opinião dominante por medo do isolamento, da exclusão.

Sim, é grave!

Created by Creativeart - Freepik.com

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Formação de caráter, personalidade, desenvolvimento de distúrbios psicológicos, traumas, agressividade, isolamento, tendência a sair matando todo mundo porque ninguém te enxerga ou aceita, porque você não é igual àquele pessoal que vive de selfie com filtro e publipost. Tudo isso está sendo determinado ou, pelo menos, significativamente influenciado pelas redes e mídias sociais, onde todo mundo é corajoso porque ninguém é autêntico.

E é aí que o Second Life, aquele joguinho onde a gente podia ser o que quisesse, começa a tomar conta da realidade. E as consequências? E o futuro? E as crianças? A discussão é necessária e para começo de conversa poderia ser incluída nas rodas de conversas em família (sim, essa prática deve ser mantida), uma disciplina sobre comunicação moderna nas escolas e o famoso “empoderamento” das crianças e adolescentes dentro de casa, para que as pessoas aprendam que ter personalidade é um excelente começo para não sofrer tanto com o bullying e com a frustração diante do não enquadramento.

A aceitação tem que começar dentro de cada um, mas é muito mais difícil quando é preciso aprender a pensar e agir com autoconfiança e amor próprio quando já se passou pela adolescência e já estão fincadas no subconsciente as ideias erradas que só visam conseguir audiência para telenovelas, seguidores em redes sociais e cifrões na indústria da moda e da beleza. Ah, terapia também é uma aliada e tanto e NÃO é coisa de maluco não!

Coisa de doido é viver nesse mundo cada vez mais ao contrário, sem ajuda!

*Jornalista, especialista em Assessoria em Comunicação Pública

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