Livros, leituras e escrita …

Pois até o mundo da escrita é mesmo pequeno! Escritores locais que participaram do painel – Processo de Escrever, em nada diferem, em seus relatos, de escritores brasileiros. O processo de escrever profissionalmente é ritualístico, aqui ou lá. E também sem grandes compensações financeiras, se o caso é de escritores fora do circuito da mídia tradicional. Todos os que estavam no painel possuem atividade remunerada paralela, relacionada com o mundo da escrita, da educação e da informação.

Não há dia de folga para o escritor e escrever é um trabalho duro, de todo dia, um ofício que envolve exercício diário. O uso de diferentes métodos como escrever à mão, digitar com os dedos e digitar por meio de comando de voz depende do dia e do momento. Mas numa coisa os painelistas foram categóricos – ler bons livros, ser um leitor ávido, é o que faz um escritor. Dito em outras palavras, professores de Português, de Literatura e de Jornalismo repetem o mesmo para os alunos brasileiros.

O painel aconteceu na primeira feira do livro – Festival of Books, em San Diego (CA), no dia 26 de agosto de 2017, na Liberty Station. Lado a lado (da esquerda para a direita) estavam Judy Reeves, professora e escritora, T. Greenwood, novelista e mãe, Caitlin Rother, documentarista, Victor Villaseñor, memorialista, e Richard Lederer, colunista de jornal local sobre a língua inglesa, e vestido à la Shakespeare. (Foto: autora do Blog)

Process of Writing

Outros escritores expuseram seus trabalhos em mesas no Corredor dos Escritores. Eu conversei com três deles. Falei sobre os livros e sobre o modo de produção que escolheram para se tornarem escritores independentes.

O processo de self-publishing é trabalhoso, comentou John Edward Mullen que, na verdade contratou um design para a capa, um diagramador para o miolo, um editor e revisor para o texto e a Amazon como distribuidor e ponto de venda. Eita trabalho de gerenciamento, mas ele estava feliz! Havia vendido todos os livros que levou para a feira, um romance de mistério sobre um computador que resolve crimes e tem coração. Ilustration Festival Tim Parks escolheu o caminho de uma editora profissional e publicou seu livro no modelo híbrido – marca de uma editora mas tecnicamente um self-publishing.  Seu livro fala do segredo de estar apaixonado por alguém do mesmo sexo, uma revelação sobre si mesmo. Segundo ele, a editora de Nova Iorque é de referência, pois a conhece ou porque é escritor freelancer ou porque havia trabalhado em livrarias. Mas, ao final, o livro acaba mesmo é na Amazon. Minha terceira conversa foi com a escritora Wanjiru Warama que relata suas memórias de menina pobre no Kenya (África), e as dificuldades de se adaptar à cultura norte-americana, em San Diego (CA), como imigrante e refugiada. Conheci parte de sua história quando Wanjiru leu para a nossa sala (um curso sobre escrita biográfica) um capítulo de seu livro de memórias. Ela optou por trabalhar com um editor privado para publicar seus dois livros. O mercado e o ponto de venda é mais do mesmo –  a Amazon.

Na feira inaugural não podiam faltar os expositores. Livrarias,  bibliotecas, booktruck com livros em Espanhol, material de escritório e casas de livros usados. Dois dos expositores me chamaram a atenção. A associação dos escritores (SDWEG) e sua missão em apoiar escritores com o processo de edição e de inserção mercadológica, inclusive com orientação sobre como concorrer e se inscrever para prêmios locais e nacionais. O outro, a companhia Write Out Loud, cujo diretor, Walter Ritter, fez questão de me explicar que a interação com a audiência é o ponto central da leitura em voz alta de peças de literatura clássica e contemporânea.

Fiquei de participar de um espetáculo para sentir como é a performance de ouvir literatura em voz alta, lida por diferentes atores, num palco de teatro, sem música de fundo, sem trilha sonora, sem figurino e sem cenário.

Depois comento!

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Nós, eclipse solar e o fascínio pelo espaço

Hoje dia 21 de agosto de 2017, a experiência única de Eclipse Solar total foi vivenciada em solo norte-americano. Em San Diego (CA), a experiência foi parcial – 58%, mas inesquecível. Acompanhei o sol sendo coberto pela lua, de tempos em tempos, usando o “glass viewer” (um visor de vidro) que o Fleet Science Center no Balboa Park emprestava às pessoas que se reuniram para apreciar o fenômeno em frente ao museu.

Vi a lua cobrir o sol devargarinho desde as 9:40, quando cheguei, até as 11:46 quando ela foi-se embora continuando a percorrer sua órbita. O visor permitia ver o sol em tamanho bem pequeno, amarelo alaranjado, brilhando solitário num espaço todo negro. Foi emocionante ver o sol inteiro novamente e dividir com os que estavam a meu lado o sentimento de que estive aqui e vi – pois outro só em 2023. Tomei emprestada a animação da Time (Science) para projetar o que vi.

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O óculos fantasia que também circulou entre a multidão fazia ver tudo verde e confesso que não gostei muito da experiência. Também achei que minha experiência ficava pela metade quando olhava, em vez de para o céu, para o chão, usando minha carta de baralho com um furinho, que colocada para o alto projetava uma sombra que permitia ver o contorno do sol conforme a lua ia andando em sua órbita e cobrindo ou descobrindo o sol. O mais legal foi observar a criatividade das pessoas, qualquer coisa que pudesse ter furinhos permitia uma experiência. E deu de tudo, lata de lixo com furinhos, peneira, prato de papel descartável, capacetes de soldar, caixas de papelão com papel alumínio e cartão postal com um furinho sob a cidade… Mas o melhor mesmo foi ver o sol brilhando por detrás do visor de vidro. Um mosaico …

O eclipe total que fez uma trajetória perpendicular pelos Estados Unidos foi monitorado pela NASA e tudo o que a agência espacial pode colocar de extraordinário: imagens de telescópios, de estação espacial e cobertura ao vivo. O video feito em umas das cidades com eclipse total me fez ficar com água na boca de experenciar uma escuridão no meio do dia. Quem sabe de uma próxima!

Divirta-se com o material que a NASA colocou no ar sobre o evento.