Sentidos na trilha: sons e cheiros

Árvore em Postura de Dança/Crédito: Rose Faria (2022)

Caminhar pelo Parque Olhos D’Água na Asa Norte pode ser trivial para os que lá vão todos os dias para seus exercícios rotineiros. Para nós hoje (4 de dezembro de 2022), um grupo de 13 caminhantes, foi uma porta para a magia de experimentar os serviços que a natureza nos presta se cuidamos e se nos imergirmos nela.

Caminhantes do Cerrado (CdC) realizou uma caminhada de acolhimento ação singular do grupo especializado em Caminhadas de Longo Curso no Distrito Federal e envolvido com os trabalhos da Rede Brasileira de Trilhas, cujo sonho é unir o Brasil de norte a sul e de leste a oeste em caminhos transitáveis a pé. Conhecer o país caminhando em grupos expressa esse sonho.

Pois bem, nossa aventura em trilha de parques urbanos de Brasília (DF), sob a condução de Rose Faria, foi muito além do caminhar e do acolher iniciantes. Fomos chamados a vivenciar nossos sentidos. Paramos para sentir o cheiro da mata, do cerrado, para conhecer flores e árvores diferentes e para ouvir o silêncio da natureza. No curto tempo em que andamos em silêncio observamos calmamente um gambá por dentre a mata e duas araras em voo sobre a copa das árvores, para além das galinhas da angola tão tradicionais no Olhos D’Água. Também fomos chamados por Rose para nos desafiar e caminhar de olhos fechados por um pequeno trecho plano. Deu insegurança, afinal para onde e por onde eu estava indo? Para uma primeira vez, meus olhos ficaram semicerrados.

No trajeto para o Pier Norte, nos deparamos com outra paisagem urbana: as moradias em barracas de plástico no gramado entre a L2 e a L4 Norte. De longe, vimos a estrutura de residência de quatro ou cinco famílias que dividem o território. Varal de roupa para secar as peças penduradas como camisas e calças, filtro de barro para água potável, material de reciclagem para gerar renda, fogão a lenha ao estilo de lata de tinta de 18 litros, e um homem de meia idade, de cabelos pretos, sentado tomando café. Na orla do Lago Paranoá, caminhando sobre o tablado do Pier da Asa Norte nos encontramos com a madeira necessitando de manutenção e um carrinho de supermercado tão enferrujado que deduzimos que estava ali ou fora retirado do lixo do Lago há muitos, muitos anos.

Os 12 mil passos em média que fizemos, numa manhã prá lá de revigorante, deixaram em todos nós a vontade de caminhar pela orla do Lago Paranoá, ainda que haja pontos de obstrução, e também de ouvir mais chorinho em roda de música, que estava em curso na entrada principal do Parque quando regressamos. Eu não pude ficar. Mas, quem ficou adorou!

Esta crônica de caminhante também está publicada no website do CdC.

Publicidade

Deixe aqui sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s